As Rejeições do Mundo

Diário Público

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Nome: Karina Marinho
Local: Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

Cinéfila, Socióloga, Mãe do Pedro

Segunda-feira, Outubro 22, 2007

Como Vivemos e para Onde Vamos.

Que o feminismo mais radical dos anos 60 implicou em conquistas fundamentais, não se pode negar. Que a partir dele ganhou-se, como nunca, a vida pública, não podemos negar, também. O que importava, naquele contexto, era a conquista da esfera pública, de um modo como nunca aconteceu entre as mulheres. Antes de suas reivindicações, às mulheres restava “apenas” (?) a vida doméstica, o mundo privado, com suas limitações, relações de poder e violências (das quais as mulheres eram e são vítimas e algozes). Estávamos imersas em oposições como aquelas encontradas entre perspectivas históricas masculinas e femininas, públicas e privadas, relativas às instituições formais e às práticas cotidianas, advindas das relações de poder e das relações de submissão.


O feminismo fez com que o olhar do mundo se deslocasse da “rua”, do “trabalho” para a “casa”, o “casamento”, a “criação dos filhos”, o “consumo de bens”, de modo a rejeitá-los e a negá-los. Criar filhos, assumir a maternidade como centralidade da vida, enfatizar o trabalho doméstico, a sexualidade do casamento, tudo isso nunca foi tão destituído de status como entre as feministas em suas origens contemporâneas. Como proposta colocavam-se as reivindicações por liberdades sexuais, sociais e políticas, ora enfatizando uma dessas esferas, ora outra, ora todas elas.


Mas os modos como de fato vivemos não reflete todo o arcabouço conceitual criado pelo feminismo. Acredito que suas discussões clássicas não têm dado conta da nossa vida. Em recente discussão, uma das principais críticas do feminismo, Camille Paglia, enfatiza essas limitações. O que houve, segundo ela, foi uma desvalorização tão forte da vida doméstica e da maternidade, que gerou uma separação entre o feminismo e as práticas femininas cotidianas.


O que buscamos, hoje, é uma conciliação. Procuramos juntar, de forma prática, vida pública e privada, status e prazer, liberdade e múltiplas obrigações. Essa busca pela conciliação pode ser vista tanto na esfera individual – basta pensar como a leitora deste blog vive – quanto na esfera coletiva, esta última manifesta por todo um conjunto de legislações sobre o trabalho e a vida feminina e as leituras teóricas sobre o feminismo e a prática feminina.


Mas a conciliação é impossível. Vivemos entre reuniões de trabalho, aspectos econômicos e culturais da vida, consumo de arte e dúvidas sobre a amamentação, alimentação de bebês e viroses freqüentes, sem estar de fato imersas em nenhuma dessas questões. Com isto não quero dizer, de forma simplista, que “quem tudo quer nada tem”. Prefiro pensar que não é a conciliação – impossível como disse – o que nos interessa. O que de fato nos importa, o que de fato nos trouxe ganhos é a busca por ela. De um meio para o alcance da vida plena, a busca pela conciliação torna-se um fim em si mesma. Não buscar pela conciliação – ainda que impossível – entre os dois grandes planos da vida – o público e o privado – pode gerar imobilismo, inércia. O que de fato queremos é sermos mães, trabalhadoras, consumidoras, donas de casa, esposas, sem que sejamos definidas exclusivamente por nenhum desses papéis.


Karina Rabelo L. Marinho

Segunda-feira, Agosto 13, 2007

Dia dos Pais


Papai,

Antes de chegar por aqui ouvia sempre falar do quanto tinha um pai legal. Não imaginei que fosse tanto... adoro o jeito como você cuida de mim, se preocupa e brinca comigo. Você não é só legal, não. É divertido, também. Só mesmo você pra deixar que eu coma um pouquinho de hidratante e outro tantinho de creme para assadura. Só você sabe o quanto esses gostinhos são bons, sei lá como você sabe disso... Só você mesmo pra me arrumar tão lindo, mesmo que seja só pra ir ao supermercado e mostrar pra mamãe. Nunca imaginei que eu teria um homem se preocupando tanto com meu cocô. Só você mesmo. Você aprendeu a trocar fralda, cuidar de assadura, dar banho, dar mamadeira, dar comidinha, lavar mamadeira, trocar de roupinha, pentear cabelo... tudo por minha causa. Desenvolveu verdadeiras tecnologias pra isso. Aprendeu, também, como me ludibriar... mas estou sempre um passo à frente, né? Aprendeu que gosto de brincar com chaves, que gosto de dançar, que sou um verdadeiro furacão lá em casa. Aprendeu até a cantar as musiquinhas dos meus programas favoritos ( “ Ele é um amigo especial pra você, companheiro de sempre, conte com ele..” “Descobrindo um mundo pra você e pra mim”.“Isso é Hi5, isso é tão divertido... ” ). Aprendeu tanta coisa que seria uma pena não aplicar toda essa tecnologia de novo (escrevi isso a pedido da mamãe, ta? Não que eu não queira um irmãozinho, mas a mamãe tá mais interessada nisso.) É por isso que eu aprendi uma das minhas primeiras palavras pra te chamar (depois de auau, claro). É por isso que eu te chamo tanto... o dia inteiro, se deixarem. Você é o melhor pai. O mais preocupado, interessado nas coisas do filhote e divertido.

Parabéns, papai.

Pedro.

Quinta-feira, Maio 24, 2007

O Dia Mais Importante


Hoje foi o dia mais importante da minha vida. Parecia feriado, mesmo eu tendo trabalhado tanto. Meu humor esteve em alta, o clima, nublado, me pareceu lindo, nenhuma chateação da rotina me atingiu. A toda hora eu revivi em minha cabeça o que se passava há um ano, quando ouvi sua voz pela primeira vez e senti seu rostinho encostado no meu. Toda a alegria que eu sentia, quando criança, no meu próprio aniversário voltou. Incrível como ele trouxe sensações fortes, das quais eu já tinha me esquecido, de volta. E o aniversariante passou o dia batendo palminhas, todas as vezes que ouviu a palavra “parabéns”. Sorriu e fez muita farra ao abrir presentes. O primeiro ano do meu filho é o meu primeiro ano como mãe. Nunca comemorei uma data tão importante...

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Dia das Mães


Não será meu primeiro, mas certamente, o mais lindo. Agora meu amor está aqui, no meu colo e eu posso ver o quanto é lindo....

Quarta-feira, Abril 04, 2007

Uma Rejeição

Estou farta da postura política na maternidade! De repente, a amamentação se tornou uma vinculação ideológica, assim como o parto normal, a rejeição ao uso de chupeta e outras regras que, se quebradas, mesmo que por necessidade, segregam o indivíduo de uma comunidade ideológica, cultural, política. Há uma relação de poder implícita na relação entre mães. Estou farta de ouvir de mães sobre amamentação exclusiva com tonalidades imperativas e agressivas, independente das circunstâncias.

A amamentação constitui – além de todos os didaticamente explicitados benefícios naturais – em momentos de extrema intimidade, proximidade, prazer... poucas relações entre indivíduos são tão próximas. Vivi isso por quase sete meses. Sei que não é muito, mas sei do que estou falando. A maternidade não é secundária. Ao contrário, ela reorienta a vida. No meu caso me salvou do cinismo e da postura blasé. Meu mundo ficou mais bonito e colorido.

Mas sua sacralização oprime, gera culpa, mágoa, competição. Basta de prescrições e tons professorais, prescrições que não conseguem ser a expressão da vida, são negações da liberdade e da individualidade. Compreendo a necessidade de convencimento. Sei que as necessidades coletivas não são as mesmas necessidades individuais, e que a promoção da maternidade ativa se dá em um contexto de medicalização do parto e do todo o processo da maternidade. O que já deve bastar a esta altura é a simples reprodução imperativa, agressiva e competitiva de idéias e práticas que independem das circunstâncias.

Um basta à ditadura do politicamente correto. A vida é bem mais interessante e complicada do que isso. Afinal, mães dão conta de tudo e mais um pouco, conscientes dos custos, sem vomitar lições de moral a cada esquina.

(OBS.: Desabafo sobre Fulanas, Beltranas e Cicranas da vida que, por sentirem a quase inevitável culpa materna, procuram, de forma simplista, compensações, se sentindo mães melhores por cumprirem alguma meta biológica. Mas nem tudo está perdido... encontrei meu refúgio aqui!!!!).

Terça-feira, Março 20, 2007

E agora?


Estou tentando, há tempos, estabelecer uma linha reta capaz de ligar a truculência, a violência, a desumanidade, a tristeza e a dor do período mais brutal dos 60´s brasileiros, e a truculência, a violência, a desumanidade, a tristeza e a dor deste período brutal em que se vive agora. Não consigo. São muitas as linhas, nem sempre retas. Às vezes penso que se trata da mesma tragédia, com sinal invertido desta vez. A idiotia geral não permitirá que este texto perca seu sentido, e a histeria não permitirá que nada seja de fato dito ou feito. O Reinaldo Azevedo escreveu em seu blog: “Certo, vocês atentaram para o vício típico das esquerdas: elas sempre conseguem pensar “enquanto” uma coisa, escrever “enquanto” uma segunda e se comportar “enquanto” uma terceira. A primeira o afaga, a segunda o manda para a fogueira, a terceira reza pela sua alma.” (http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/)

Terça-feira, Março 06, 2007

Mais do Mesmo


Não me sobra mais tempo para o cinema... pelo menos para aquele em tela grande, som do c... e ar condicionado... Perdi quase tudo de importante no último ano, como Volver, Babel, Cartas de Iwo Jima, Little Miss Sunshine, O Labirinto do Fauno, Os Infiltrados, Little Children e outros tantitos mais... Provavelmente perderei também Candy. Mas na última sexta-feira, chefe em reunião a tarde inteira, marido à disposição, poucas tarefas com prazos gritando no meu ouvido, eu fugi. Peguei o marido, coloquei à tiracolo, deixei neném no berçário e corri para o cinema mais próximo, sem me dar conta de que eu estava à disposição do cinema mais próximo, mas ele poderia não estar à minha disposição... e de fato não estava. Único filme disponível: “Letra e Música”. Mais do mesmo. Hugh Grant tem seu charme, quem sou eu pra discordar de uma coisa dessas, mas parecia mais o tio da Drew Barrymore do que seu interesse romântico, e isso não tem nada a ver com a diferença de idade entre eles. E que vozinha era aquela da menina? O roteiro parecia alguma coisa escrita pelo meu sobrinho de oito anos. Situações ridículas que só aparecem no filme como desculpa para situações risíveis, o que seria ótimo em uma comédia, mas não foi isso que eu quis dizer. O filme não satisfaz nem o nosso desejo de comédia, nem a nossa idéia do que seja romântico. A possível nostalgia dos anos 80, (intenção do filme?) tá um troço mais batido do que os próprios anos 80. Por sorte marido não ficou de mau humor, como normalmente fica em situações como essa. Nem eu, afinal era sexta-feira, e eu não consigo, mesmo quando eu tento, ficar de mau humor em uma sexta-feira à tarde. As comédias românticas morreram. A não ser que algum gênio criativo consiga realizar a ressurreição do gênero, ele já era... (acabo de me lembrar de que alguns conseguiram ressuscitar, mesmo que por apenas algum tempo, o gênero de terror). Nem sei da última comédia romântica com algum charme... talvez o Woody Allen... (mas eu não estou certa se os filmes do Woody Allen se encaixam no gênero “comédia romântica” ou no gênero “Woody Allen”) Então, só me resta, agora, esperar por Scoop... se ele estiver em cartaz no mesmo dia em que meu chefe estiver em reunião à tarde toda... no cinema mais próximo... em horário de funcionamento do berçário...